Sobre o tempo e o fazer foi criado na tentativa de esclarecer algumas das ações da Terapia Ocupacional na saúde mental. Em nosso cotidiano somos atravessados por diversas atividades, o tempo nos invade e somos engolidos por ele. Refletir sobre como vivenciamos nosso cotidiano, nos ajudam a encontrar pistas da nossa subjetividade, formação de um autoconceito e soluções práticas para os problemas na vida cotidiana.
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sábado, 6 de abril de 2019
domingo, 7 de outubro de 2018
Tempo de escolhas
Entendo uma diferença entre escolher e decisão. A escolha
vem antes da decisão. Segundo o dicionário online da língua portuguesa, escolha
significa selecionar entre duas ou mais opções a sua preferencia, bom gosto,
predileção entre duas ou mais coisas que se demonstra em relação a algo ou
alguém.
Parece uma tarefa fácil, mas de fato não é, mesmo quando
limitamos as quantidades de objetos, pessoas e situações. Quantas vezes você se
sentiu perdido diante de tantas escolhas? Por exemplo, entrar em uma loja de
bijuterias e se deparar com tantas possibilidades. Se você não colocar ou
elencar algumas diretrizes para sua escolha, com certeza saíra bem perdido e
sem conseguir escolher algo. E assim mesmo direcionando o que você quer, e
fazendo sua escolha acaba chegando em casa e se perguntando se fez a escolha
certa, ou com a cabeça naquilo que você deixou para trás.
Gosto de partir de exemplos práticos e do cotidiano que
vivenciamos a todo o momento. Outro dia me vi escolhendo uma coleira para
cachorros: uma opção para a escolha foi o preço; outra a cor e outra a
praticidade e durabilidade do material. Sai da loja feliz, um pouco em dúvida
confesso, com o material que havia comprado. Enfim, após tantas dúvidas,
resolvi abrir o pacote e começar a usar a coleira. Após alguns dias de usos
percebi que a coleira começou a abrir na lateral da costura e pensei que talvez a outra que havia deixado fosse
melhor.
Nesses pensamentos de melhor escolha e na minha atitude de
levar a coleira para a casa, existia a fantasia da escolha perfeita. Escolha perfeita significa não ter erros, ou
qualquer tipo de prejuízo naquilo que entendi como o melhor para o momento.
Quantas frustrações nos acometem na escolha de um sapato, de
uma roupa, de uma profissão, namorado, entre tantos outros. Entendemos e
queremos acreditar que foi a melhor escolha, entretanto nem sempre as escolhas
que fazemos nos garantem que estaremos satisfeitos. Nem sempre a roupa, o
sapato, ou qualquer outra escolha que fizermos
serão garantia de nossas satisfações. As
frustações são maiores à medida que colocamos expectativas diante daquilo que
escolhemos e não avaliamos as imperfeições do caminho.
Diante dessa imprevisibilidade de situações, a partir de
escolhas, algumas pessoas não querem correr riscos e delegam a outras á sua
escolha, assim encontram uma forma de não se responsabilizar e não se
frustrarem.
Entendo que de uma forma ou de outra, quer você queira ou
não o tempo todo na vida cotidiana fazemos algum tipo de escolha e nem sempre
acertaremos, porque o acertar depende do quanto você consegue ser flexível
diante das modificações que a vida lhe impõe, o quanto se consegue transformar
á partir das imperfeições.
Portanto, hoje, saímos de casa para votar, com a escolha em
nossas cabeças e exercemos uma atitude, porém não saberemos se nossas escolhas
foram as melhores, porque não existem acertos nessa vida, mas temos a garantia
que a vida caminha porque fazemos escolhas.
quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Tempo de mudança ( cambiar siempre)
Vivir situaciones inesperadas puede ser un buen ejercicio práctico para producir cambios y así encontrar nuevos significados en la vida. Me gustó este ejemplo.
domingo, 9 de setembro de 2018
Tempo de se expressar
Atividades humanas são expressões que demonstram o modo de ser e agir
no mundo. Atividades expressivas em terapia ocupacional, como pintura, desenho,
modelagem, artes em geral com as mãos, produção de textos, leituras, jogos, uma imensidão de afazeres, permitem trazer conteúdos do
inconsciente, apropriar-se ou dar-se conta de si mesmo, fazendo algo. O modo de
agir diante da atividade possibilita despertar e descobrir outros interesses e
habilidades e ter consciência daquilo que tinha e não sabia. Esta forma de
intervenção em terapia ocupacional envolve conceitos da psicodinâmica da ação
A compreensão além das palavras possibilita ao terapeuta ocupacional observar
a ação realizada pelo sujeito em vários contextos, família, trabalho, social. A
compreensão pelo fazer, individualmente ou em grupos, no processo terapêutico, revela
dados concretos da pessoa que estavam escondidos ou mesmo impercebíveis,
obscuros, que a pessoa pode “dar-se conta”.
As formas como as pessoas se comportam e agem diante de situações
concretas da vida cotidiana permitem ao terapeuta ocupacional, trazer, ofertar
informações que auxiliem a compreender determinada situação e produzir mudanças
que melhorem sua forma de se conduzir no mundo.
O tempo todo
fazemos “coisas” e reagimos de forma
automática. O automatismo de nossas ações é uma condição necessária para a
sobrevivência. Entendemos por reações automáticas aquelas que desenvolvemos sem
tomar consciência.
Para entender melhor o quero dizer, vejamos a partir de uma
compreensão do movimento, diante de uma ação muscular; já reparou quantas ações
realiza sem perceber? Por exemplo, piscar, respirar, você realiza sem perceber,
sem o seu comando, sem o seu controle, são ações involuntárias. Normalmente as
ações involuntárias são desenvolvidas como uma forma de proteção e subsistência.
Ao falar não observamos o movimento da nossa língua, a única coisa que fazemos
conscientemente é pensar em algo que vamos dizer.
Realizar um movimento com um objetivo determinado requer do sistema
nervoso central, informações sensoriais para assegurar que a função motora se
realize. Assim sem as informações sensoriais os movimentos podem ser imprecisos
e tarefas que requerem coordenação minuciosa das mãos como abotoar uma camisa e
fechar um zíper ficam impossibilitadas. Normalmente as reações automáticas
apresentam-se como reflexos e hábitos adquiridos, abotoamos uma camisa e
fechamos um zíper sem percebe, isto é saudável e nos ajuda a ganhar tempo para
outros afazeres. Neste contexto é mais
fácil perceber as ações da terapia ocupacional.
Existe dentro da terapia ocupacional uma larga bibliografia e ações práticas
sobre os benefícios da teoria da integração sensorial. Fiz uso
desse conceito como uma forma de exemplificar e conduzir o leitor a compreensão
de como o terapeuta ocupacional pode obter informações sobre as pessoas e fazer
com que as mesmas também possam observar as sensações provocadas pelas
atividades que são desenvolvidas em seu cotidiano.
Por outro lado fazer da vida um hábito com ações rotineiras e
repetitivas pode conduzir ao automatismo e apresentar comportamentos que prejudicam a qualidade de vida. A
repetição incessante pode gerar um vazio uma falta de significado, tudo parece
um fardo, sem sentido. E na verdade os sentidos estão de fatos adormecidos. Por
esse motivo vários terapeutas ocupacionais se dedicam a observar, investigar,
analisar e propor mudanças na rotina da vida diária, não apenas para
restabelecer funções perdidas á nível da reabilitação física, mas provocar
mudanças estruturais, na ordem dos sentidos e das emoções. Ao
realizar atividades na presença de um terapeuta ocupacional, através da observação
e análise da pessoa realizando e produzindo ações, neste processo, oferece pistas, possibilita a reflexão, tomar consciência
de atos, sensações, sentimentos não percebidos que podem auxilia-lo a obter maior satisfação em sua rotina
diária. Pessoas que compreendem melhor suas ações estabelecem novas formas de
satisfação, encontram saídas, descobrem oportunidades empoderam-se.
Um tempo para a realização de atividades diferentes pode proporcionar
o acesso a pontos importantes do cérebro, oferecendo estímulo e o despertar de
novas ações. Pratique essa ideia.
sábado, 11 de novembro de 2017
Tempo da Impotência
A
existência humana se constitui com processos recorrentes de ações que
determinam sucessos e derrotas em todos os aspectos da vida, assim como geram
potencia e impotência para administrar o próprio tempo.
No
cotidiano com pequenas tarefas de rotina presenciamos momentos de potencia e impotência.
Momentos do dia a dia que poderiam ser simples, às vezes se tornam complexos. A
culinária, por exemplo, é motivo para sérias frustrações, quando algo deu
errado, queimou, salgou, passou do ponto. A sensação de impotência e frustração
se acentua, principalmente quando outras pessoas dependem do alimento que você prepara.
Situações
rotineiras e habituais em determinados tempos da vida, produzem sentimentos e
sensações que alteram o emocional. Portanto, penso que o cotidiano, os hábitos,
a rotina, influenciam constantemente nosso estado emocional. Os motivos que conduzem
nosso vigor, entusiasmo, potencia, são estabelecidos no dia a dia e somam-se
tanto para os sucessos como para o insucesso.
Grande
parte das atividades que realizamos no cotidiano, origina o automatismo, dificultando
a percepção das falhas no processo de realização, mas também das reais
potencias do que cada um executa. Olhar para aquilo que se faz e como se faz,
nos conduz a percepção, de como agimos e nos permitem diferenciar e identificar,
limitações, potencialidades e assim alcançar a noção de quem eu sou na direção
da construção de nossa singularidade.
Os
tempos atuais, a con-tempo-raneidade, permitiu e redefiniu uma nova forma de compreender
o mundo, com suas imagens em todas as direções, trouxe o mundo e a informação
de forma rápida e ao alcance de todos. Entretanto, todos os avanços contribuíram também para nos
distanciar de nós mesmos, nos afastam da
singularidade e nos conduzem a idealização do poder com exacerbação do
individualismo e não para a formação da identidade. O que faço, o que produzo
só tem sentido para me confirmar e reafirmar perante o outro. A síndrome do pânico
pode advir dessa condição de alta exigência, de poder e desempenho fruto dos
tempos atuais. O mal estar surge no corpo, na ação, é paralisante por não atingir
o esperado, é o sentimento da insuficiência.
O
mundo atual por permitir plenas possibilidades, incitado a um fazer
exteriorizado, em contexto que é proibido proibir e envergonha-se por não
alcançar, produz um sujeito que não se vê e nem se encontra sem o outro,
No
tempo da impotência a ação está prejudicada, somos seres estagnados, sem direção
e sem confiança na vida. A sociedade contribui para a produção de seres sem
sentido e ação, não desejantes, com falta de capacidade reflexiva. A sociedade
do espetáculo produz atores e não autores de processos de transformação pessoal
e coletiva. O sentimento de capacidade e
potencia é o diferencial que gera satisfação e conduz o ser humano a fazer
escolhas e produzir ações.
No
tempo da impotência as sensações de impedimentos e limitações restringem atos
que nos conduzam a desenvolver nossas reais possibilidades, existe a contenção
e a falta de iniciativa. Estou vestido de vários trajes, atuando em diversos
cenários, uma encenação que não alimenta que se esvazia e só produz mais impotência.
Nestes tempos não é o corpo que solicita, mas a alma que clama.
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Tempo de música
De
repente algumas músicas invadem a mente, e foi assim que me vi cantando Dublê
de corpo do compositor e cantor Leoni.
Ouvir
música é uma atividade que ativa lembrança, principalmente se a canção foi
vivenciada dentro de um contexto emocional. Estudos indicam que a capacidade de
memorização está ligada com um significado emocional de maior peso, é por isso
que ouvir músicas com interações sociais agradáveis estimulam o cérebro e
promovem emoções. A emoção também é um recurso para estimular funções
cerebrais.
A
audição desempenha uma importante função na nossa vida e corresponde a um dos
órgãos dos nossos sentidos. A medida que envelhecemos, ou mesmo por traumas físicos,
genéticos, dentre outros, podemos perder ou diminuir a capacidade auditiva. No
primeiro momento o que se pensa é na limitação, entretanto, se bem usada, a
barreira inicial poderá ser uma oportunidade para usar outros sentidos.
O
inesperado pode ser um fator positivo à medida que modifica algo habitual,
rotineiro, porque um cérebro ativo e saudável se consegue com reações
imprevisíveis, e o que pode ser mais inesperado do que as interações sociais?
Ouvir
música já é uma atividade prazerosa, mas imagina associar essa atividade em um
grupo de pessoas, com jogos de lembrar qual é a música, contar uma história que
determinada música ocasionou. O cérebro tem que fazer várias associações e
assim sai do automático com um estímulo novo e inusitado.
Experimente
colocar tampões no ouvido e faça suas atividades habituais, perceba o mundo sem
som, com certeza terá que utilizar outros recursos diferentes do que está
acostumado, esse processo retira seu cérebro do automático e permite novas
associações.
Associe
a música a um cheiro, aprecie um filme sem a visão, comunique-se sem usar a
voz.
Aproveite
o tempo da música para ouvir diferente seu cérebro agradece.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
Tempo do nada.
Eu
não quero saber de mais nada. Quantas vezes você já disse ou ouviu essa frase?
Será um sintoma ou a manifestação de um vazio, da falta de ilusão, de planos
feitos e não realizados?
A
frase tudo passa também é habitual quando vivenciamos algum problema. Parece
existir um estágio na vida que realmente tudo passa ou será que permanece encoberto,
se oculta?
No
sentido de que tudo passa, a vida fica como uma passagem de momentos e situações
vivenciadas que se atravessa de um trabalho á outro de um relacionamento a
outro e temos a sensação não de um abalo, mas de um caminho que precisamos
vivenciar no sentido da transposição, ou seja, tem “coisas” a frente a serem
exploradas. Existe uma força presente e ativa que impulsiona e apresenta a
necessidade de avançar.
Há
outros tempos que se mostram como barreiras, ponto final, nada mais a ser
descoberto e explorado.
Recentemente
da leitura de um livro, uma frase me chamou a atenção e foi algo que nunca
havia pensado antes, a frase dizia: tem um momento na vida que todos encontram
seu obstáculo final. Esta afirmativa será uma verdade?
Tempos
difíceis exigem paciência, tolerância, esperança e até certa conformidade e
aceitação.
A
perda das ilusões, a visão do mundo real nos coloca na posição de encontrar
novas verdades um novo desafio talvez. Tempo do nada pode ser entendido como o
tempo da tristeza do descrédito de todas as crenças, a falta de sentido e
perspectivas nas pessoas e nas ações, tempo que se caminha e não sai do lugar.
O
tempo do nada pode ser também um momento de “luto” o que não é doença, mas a
manifestação de perdas sejam elas físicas sociais e ou emocionais. Ninguém
gosta de perder um braço, amputar uma perna, perder um ente querido, um
emprego, um ideal, passagens inevitáveis e precisamos de estímulos
significativos para nos reconstituir novamente. Faço esta reflexão no tempo do
estímulo.
Buscar
e ou desvelar seu novo ser interior será um grande desafio. No tempo vulcânico
faço essa reflexão, como o tempo do conflito, da coragem para enfrentar as
agitações, para enxergar quem sou o que estou fazendo por aqui, refere-se a há
um lugar desconhecido, oculto, mas sem dúvida de natureza existencial. As
particularidades do seu ser, aquilo que você tem dificuldade para aceitar e ou
enxergar, más sabe que existe, está relacionado com sua essência com aquilo que
te faz sentido e te dá às respostas para a tua existência.
Retomando
a frase que despertou esta reflexão, deposito aqui a citação, não como uma
certeza, mas fica aqui a questão: “todos nós passaremos um obstáculo final” ?
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