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domingo, 28 de abril de 2019

Tempo de Independência.


O que é independência? O que é ser dependente de algo ou alguém? Você gosta de depender? Gosta que alguém dependa de você?
Algumas dessas perguntas podem ser respondidas rapidamente, outras precisaremos parar e pensar, porque ser ou estar independente dependerá de cada pessoa, da fase e dos diversos contextos em que está inserida.
A palavra independência é um termo forte e está presente em diversos aspectos da nossa vida, tanto para situações em que dependemos de algo, ou nas relações que estabelecemos dependendo de alguém.
“Independência ou morte” disse Dom Pedro I, foi o grito proclamado para a independência do Brasil, nota-se uma expressão forte e demonstra o significado que pode apresentar dependendo da situação em que é utilizada e da forma como pode ser aplicada nos diversos contextos de vida.
O termo conceitual de independência é citado por dicionários da língua portuguesa, como a capacidade da pessoa que não necessita de ajuda de alguém para desenvolver suas atividades.
Ao longo do nosso desenvolvimento podemos ou não ser afrontados com algum tipo de “barreira”, um obstáculo, um impedimento, na maioria das vezes aparece como um desafio, ficar a prova de, no exercício de nossa independência.   
No referencial do modelo de reabilitação, independência significa ter capacidade física e cognitiva sem auxilio de outros. A independência se constitui como uma das competências sociais que necessitamos para desempenhar nossas atividades cotidianas. As atividades cotidianas e/ou ocupações são aquelas realizadas ao longo do dia (escovar dentes, comer), não apenas restritas a estas, mas também as atividades que envolvem o meio social, como escola, trabalho, família, festas, etc.
Desenvolver, estimular a independência, é um termo muito utilizado por Terapeutas Ocupacionais e profissionais que visam à reabilitação, porque pensamos em pessoas com algum tipo de limitação física, e um dos objetivos para o tratamento é a independência para atividades do dia a dia; escovar o cabelo, fazer a barba, vestir-se, parece simples mais é muito trabalhoso para quem faz e perdeu uma função.
Porém restabelecer a função de uma parte do corpo não é o único objetivo de um processo de reabilitação, às vezes esse objetivo principal dá espaço, ou surge outro, que direciona para outras situações de vida que precisam ser transformadas, o terapeuta precisa estar atento ao contexto geral da vida daquela pessoa e entender o ser humano de forma integral.
Acredito que o ensino e a formação de Terapeutas Ocupacionais adotam os princípios da compreensão do ser humano como um todo e talvez isso explique a abrangência das nossas intervenções.  
No raciocínio clínico de Terapeutas Ocupacionais, construímos formas de pensar e refletir a independência diante de vários aspectos da vida da pessoa. Às vezes o progresso para restabelecer a função de um membro e ou adaptação para uma nova condição nas rotinas diárias, está diretamente relacionado às representações e experiências de vida, no significado diante da função perdida e os papéis ocupacionais exercidos por determinada pessoa.   
A deficiência ou limitação em algum órgão, por exemplo, na visão, pode trazer algum grau de dependência do outro, mas existem vários recursos disponíveis para que a pessoa nessa condição seja mais independente possível. Refletindo sob o ponto de vista de não existir nenhuma limitação, enxergo tudo, mas frequentemente preciso dos olhos dos outros, quando me visto, quando limpo a casa, quando faço uma pintura, existe também nessa condição uma dependência do outro. Tomemos outro exemplo como o papel da mulher em nossa sociedade, desde cedo somos estimuladas a “brincar de casinha”, ter filhos, lavar panelinhas, casar, entre tantos outros. Neste raciocínio podemos entender porque muitas mulheres na fase adulta dependem da família, do marido e se sujeitam a ser dependentes, porque na maioria das vezes não encontram outro papel, função na vida, não se sentem capazes e empoderadas. O assunto sobre independência é imenso, mas o objetivo aqui é apenas provocar uma reflexão, no sentido de como a Terapia Ocupacional pode ajudar a fortalecer a mulher com ações práticas: descobrindo habilidades e interesses, “fazendo coisas” que auxiliem a conquistar maior independência.
Quero salientar com essas situações opostas que a presença de uma limitação física não é maior ou mais grave, quando o assunto e ser independente. Qual seria a pior dependência?
Por outro lado entende-se também que nunca seremos totalmente independentes, que a independência está relacionada com as diversas fases de vida e que talvez para aqueles que odeiam serem dependentes e sofrem com essa condição, uma das possibilidades seria construir formas adequadas e mais satisfatórias para a dependência, poderia dizer acomodações, adaptações evitando ou diminuindo sofrimentos.  
A independência nos conduz a uma abrangência de significados, singularidades e diversas compreensões diante dos vários contextos de vida para cada pessoa. A dependência faz parte da vida,  porém terá diferentes influências, segundo a intensidade, frequência, quanto perdura, como e quando acontece.
E para você a independência é algo sério?        
Minha sugestão para complementar o que provoquei até aqui, é o relato de Fabiana Bonilha:   http://correio.rac.com.br/mobile/materia_historico.php?id=428210l  E vejam o vídeo abaixo:

domingo, 7 de outubro de 2018

Tempo de escolhas

Entendo uma diferença entre escolher e decisão. A escolha vem antes da decisão. Segundo o dicionário online da língua portuguesa, escolha significa selecionar entre duas ou mais opções a sua preferencia, bom gosto, predileção entre duas ou mais coisas que se demonstra em relação a algo ou alguém.
Parece uma tarefa fácil, mas de fato não é, mesmo quando limitamos as quantidades de objetos, pessoas e situações. Quantas vezes você se sentiu perdido diante de tantas escolhas? Por exemplo, entrar em uma loja de bijuterias e se deparar com tantas possibilidades. Se você não colocar ou elencar algumas diretrizes para sua escolha, com certeza saíra bem perdido e sem conseguir escolher algo. E assim mesmo direcionando o que você quer, e fazendo sua escolha acaba chegando em casa e se perguntando se fez a escolha certa, ou com a cabeça naquilo que você  deixou para trás.
Gosto de partir de exemplos práticos e do cotidiano que vivenciamos a todo o momento. Outro dia me vi escolhendo uma coleira para cachorros: uma opção para a escolha foi o preço; outra a cor e outra a praticidade e durabilidade do material. Sai da loja feliz, um pouco em dúvida confesso, com o material que havia comprado. Enfim, após tantas dúvidas, resolvi abrir o pacote e começar a usar a coleira. Após alguns dias de usos percebi que a coleira começou a abrir na lateral da costura e pensei  que talvez a outra que havia deixado fosse melhor. 
Nesses pensamentos de melhor escolha e na minha atitude de levar a coleira para a casa, existia a fantasia da escolha perfeita.  Escolha perfeita significa não ter erros, ou qualquer tipo de prejuízo naquilo que entendi como o melhor para o momento.
Quantas frustrações nos acometem na escolha de um sapato, de uma roupa, de uma profissão, namorado, entre tantos outros. Entendemos e queremos acreditar que foi a melhor escolha, entretanto nem sempre as escolhas que fazemos nos garantem que estaremos satisfeitos. Nem sempre a roupa, o sapato, ou qualquer outra escolha que  fizermos serão garantia de nossas satisfações.  As frustações são maiores à medida que colocamos expectativas diante daquilo que escolhemos e não avaliamos as imperfeições do caminho.
Diante dessa imprevisibilidade de situações, a partir de escolhas, algumas pessoas não querem correr riscos e delegam a outras á sua escolha, assim encontram uma forma de não se responsabilizar e não se frustrarem.
Entendo que de uma forma ou de outra, quer você queira ou não o tempo todo na vida cotidiana fazemos algum tipo de escolha e nem sempre acertaremos, porque o acertar depende do quanto você consegue ser flexível diante das modificações que a vida lhe impõe, o quanto se consegue transformar á partir das imperfeições.
Portanto, hoje, saímos de casa para votar, com a escolha em nossas cabeças e exercemos uma atitude, porém não saberemos se nossas escolhas foram as melhores, porque não existem acertos nessa vida, mas temos a garantia que a vida caminha porque fazemos escolhas. 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Tempo de mudança ( cambiar siempre)



Vivir situaciones inesperadas puede ser un buen ejercicio práctico para producir cambios y así  encontrar nuevos significados en la vida.  Me gustó este ejemplo.

domingo, 9 de setembro de 2018

Tempo de se expressar


Atividades humanas são expressões que demonstram o modo de ser e agir no mundo. Atividades expressivas em terapia ocupacional, como pintura, desenho, modelagem, artes em geral com as mãos, produção de textos, leituras, jogos, uma imensidão de afazeres, permitem trazer conteúdos do inconsciente, apropriar-se ou dar-se conta de si mesmo, fazendo algo. O modo de agir diante da atividade possibilita despertar e descobrir outros interesses e habilidades e ter consciência daquilo que tinha e não sabia. Esta forma de intervenção em terapia ocupacional envolve conceitos da psicodinâmica da ação
A compreensão além das palavras possibilita ao terapeuta ocupacional observar a ação realizada pelo sujeito em vários contextos, família, trabalho, social. A compreensão pelo fazer, individualmente ou em grupos, no processo terapêutico, revela dados concretos da pessoa que estavam escondidos ou mesmo impercebíveis, obscuros, que a pessoa pode “dar-se conta”.   
As formas como as pessoas se comportam e agem diante de situações concretas da vida cotidiana permitem ao terapeuta ocupacional, trazer, ofertar informações que auxiliem a compreender determinada situação e produzir mudanças que melhorem sua forma de se conduzir no mundo.
O tempo todo fazemos “coisas” e  reagimos de forma automática. O automatismo de nossas ações é uma condição necessária para a sobrevivência. Entendemos por reações automáticas aquelas que desenvolvemos sem tomar consciência.
Para entender melhor o quero dizer, vejamos a partir de uma compreensão do movimento, diante de uma ação muscular; já reparou quantas ações realiza sem perceber? Por exemplo, piscar, respirar, você realiza sem perceber, sem o seu comando, sem o seu controle, são ações involuntárias. Normalmente as ações involuntárias são desenvolvidas como uma forma de proteção e subsistência. Ao falar não observamos o movimento da nossa língua, a única coisa que fazemos conscientemente é pensar em algo que vamos dizer.
Realizar um movimento com um objetivo determinado requer do sistema nervoso central, informações sensoriais para assegurar que a função motora se realize. Assim sem as informações sensoriais os movimentos podem ser imprecisos e tarefas que requerem coordenação minuciosa das mãos como abotoar uma camisa e fechar um zíper ficam impossibilitadas. Normalmente as reações automáticas apresentam-se como reflexos e hábitos adquiridos, abotoamos uma camisa e fechamos um zíper sem percebe, isto é saudável e nos ajuda a ganhar tempo para outros afazeres.  Neste contexto é mais fácil perceber as ações da terapia ocupacional.
Existe dentro da terapia ocupacional uma larga bibliografia e ações práticas sobre os benefícios da teoria da integração sensorial.   Fiz uso desse conceito como uma forma de exemplificar e conduzir o leitor a compreensão de como o terapeuta ocupacional pode obter informações sobre as pessoas e fazer com que as mesmas também possam observar as sensações provocadas pelas atividades que são desenvolvidas em seu cotidiano.
Por outro lado fazer da vida um hábito com ações rotineiras e repetitivas pode conduzir ao automatismo e apresentar comportamentos  que prejudicam a qualidade de vida. A repetição incessante pode gerar um vazio uma falta de significado, tudo parece um fardo, sem sentido. E na verdade os sentidos estão de fatos adormecidos. Por esse motivo vários terapeutas ocupacionais se dedicam a observar, investigar, analisar e propor mudanças na rotina da vida diária, não apenas para restabelecer funções perdidas á nível da reabilitação física, mas provocar mudanças estruturais, na ordem dos sentidos e das emoções.   Ao realizar atividades na presença de um terapeuta ocupacional, através da observação e análise da pessoa realizando e produzindo ações,  neste processo, oferece  pistas, possibilita a reflexão, tomar consciência de atos, sensações, sentimentos não percebidos que podem auxilia-lo  a obter maior satisfação em sua rotina diária. Pessoas que compreendem melhor suas ações estabelecem novas formas de satisfação, encontram saídas, descobrem oportunidades empoderam-se.
Um tempo para a realização de atividades diferentes pode proporcionar o acesso a pontos importantes do cérebro, oferecendo estímulo e o despertar de novas ações. Pratique essa ideia.

sábado, 11 de novembro de 2017

Tempo da Impotência

A existência humana se constitui com processos recorrentes de ações que determinam sucessos e derrotas em todos os aspectos da vida, assim como geram potencia e impotência para administrar o próprio tempo.
No cotidiano com pequenas tarefas de rotina presenciamos momentos de potencia e impotência. Momentos do dia a dia que poderiam ser simples, às vezes se tornam complexos. A culinária, por exemplo, é motivo para sérias frustrações, quando algo deu errado, queimou, salgou, passou do ponto. A sensação de impotência e frustração se acentua, principalmente quando outras pessoas dependem do alimento que você prepara.
Situações rotineiras e habituais em determinados tempos da vida, produzem sentimentos e sensações que alteram o emocional. Portanto, penso que o cotidiano, os hábitos, a rotina, influenciam constantemente nosso estado emocional. Os motivos que conduzem nosso vigor, entusiasmo, potencia, são estabelecidos no dia a dia e somam-se tanto para os sucessos como para o insucesso.
Grande parte das atividades que realizamos no cotidiano, origina o automatismo, dificultando a percepção das falhas no processo de realização, mas também das reais potencias do que cada um executa. Olhar para aquilo que se faz e como se faz, nos conduz a percepção, de como agimos e nos permitem diferenciar e identificar, limitações, potencialidades e assim alcançar a noção de quem eu sou na direção da construção de nossa singularidade.
Os tempos atuais, a con-tempo-raneidade, permitiu e redefiniu uma nova forma de compreender o mundo, com suas imagens em todas as direções, trouxe o mundo e a informação de forma rápida e ao alcance de todos. Entretanto,  todos os avanços contribuíram também para nos distanciar de nós mesmos,  nos afastam da singularidade e nos conduzem a idealização do poder com exacerbação do individualismo e não para a formação da identidade. O que faço, o que produzo só tem sentido para me confirmar e reafirmar perante o outro. A síndrome do pânico pode advir dessa condição de alta exigência, de poder e desempenho fruto dos tempos atuais. O mal estar surge no corpo, na ação, é paralisante por não atingir o esperado, é o sentimento da insuficiência.  
O mundo atual por permitir plenas possibilidades, incitado a um fazer exteriorizado, em contexto que é proibido proibir e envergonha-se por não alcançar, produz um sujeito que não se vê e nem se encontra sem o outro,        
No tempo da impotência a ação está prejudicada, somos seres estagnados, sem direção e sem confiança na vida. A sociedade contribui para a produção de seres sem sentido e ação, não desejantes, com falta de capacidade reflexiva. A sociedade do espetáculo produz atores e não autores de processos de transformação pessoal e coletiva.  O sentimento de capacidade e potencia é o diferencial que gera satisfação e conduz o ser humano a fazer escolhas e produzir ações.
No tempo da impotência as sensações de impedimentos e limitações restringem atos que nos conduzam a desenvolver nossas reais possibilidades, existe a contenção e a falta de iniciativa. Estou vestido de vários trajes, atuando em diversos cenários, uma encenação que não alimenta que se esvazia e só produz mais impotência. Nestes tempos não é o corpo que solicita, mas a alma que clama.    


                                                                                                     


sábado, 11 de fevereiro de 2017

Tempo de música

De repente algumas músicas invadem a mente, e foi assim que me vi cantando Dublê de corpo do compositor e cantor Leoni. 

   
Ouvir música é uma atividade que ativa lembrança, principalmente se a canção foi vivenciada dentro de um contexto emocional. Estudos indicam que a capacidade de memorização está ligada com um significado emocional de maior peso, é por isso que ouvir músicas com interações sociais agradáveis estimulam o cérebro e promovem emoções. A emoção também é um recurso para estimular funções cerebrais.
A audição desempenha uma importante função na nossa vida e corresponde a um dos órgãos dos nossos sentidos. A medida que  envelhecemos, ou mesmo por traumas físicos, genéticos, dentre outros, podemos perder ou diminuir a capacidade auditiva. No primeiro momento o que se pensa é na limitação, entretanto, se bem usada, a barreira inicial poderá ser uma oportunidade para usar outros sentidos.
O inesperado pode ser um fator positivo à medida que modifica algo habitual, rotineiro, porque um cérebro ativo e saudável se consegue com reações imprevisíveis, e o que pode ser mais inesperado do que as interações sociais?
Ouvir música já é uma atividade prazerosa, mas imagina associar essa atividade em um grupo de pessoas, com jogos de lembrar qual é a música, contar uma história que determinada música ocasionou. O cérebro tem que fazer várias associações e assim sai do automático com um estímulo novo e inusitado.  
Experimente colocar tampões no ouvido e faça suas atividades habituais, perceba o mundo sem som, com certeza terá que utilizar outros recursos diferentes do que está acostumado, esse processo retira seu cérebro do automático e permite novas associações.
Associe a música a um cheiro, aprecie um filme sem a visão, comunique-se sem usar a voz.
Aproveite o tempo da música para ouvir diferente seu cérebro agradece.